quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Latinos dos EUA devem pressionar Obama sobre imigração

Latinos dos EUA devem pressionar Obama sobre imigração

LOS ANGELES (Reuters) - Após meses sendo deixado de lado, o eleitorado latino-americano, importante na eleição de Barack Obama como presidente dos EUA, deve pressionar o novo governo a colocar a reforma da imigração novamente na pauta.
Cerca de 12 milhões de imigrantes, a maioria hispânicos, vivem e trabalham ilegalmente nos Estados Unidos. O que fazer com eles é um tema que divide a população norte-americana.
Como senador, o democrata Obama apoiou no ano passado um projeto bipartidário que abria caminho para a legalização dos clandestinos. A bancada republicana rejeitou o projeto por considerá-lo uma forma de "anistia".
Obama apóia uma reforma mais abrangente, que inclua uma maior vigilância nas fronteiras e punições a patrões que contratam imigrantes clandestinos.
Os hispânicos com cidadania norte-americana - entre os quais dois terços votaram em Obama - consideram que a economia e a guerra do Iraque são questões mais importantes, mas ativistas e analistas dizem que eles também prestam atenção à questão imigratória e esperam medidas.
"Votamos numa pessoa que acreditávamos entender a importância dos imigrantes para este país", disse Angélica Salas, diretora-executiva da Coalizão para os Direitos Humanos dos Imigrantes, em Los Angeles.
"Embora não seja estritamente um toma-lá-dá-cá, há expectativa de que ele cumpra essas promessas". acrescentou.
A imigração foi pouco abordada numa campanha em que Obama e o republicano John McCain tiveram o cuidado de não afastar nem o eleitorado latino nem os norte-americanos contrários à reforma.
Os hispânicos são a minoria que mais cresce nos EUA, e já respondem por cerca de 9 por cento do eleitorado.
"A questão para os democratas ao tentarem lidar com a reforma da imigração é se eles vão dar como fato consumado ou vão sentir que precisam de algo em mais curto prazo para solidificar ," disse Tamar Jacoby, dirigente da entidade ImmigrationWorksUSA, que reúne empregadores de todo o país.
As divisões são grandes. Os mais radicais dizem que os imigrantes ilegais sugam recursos e deveriam ser presos e deportados. Obama e seu vice, Joe Biden, defendem que os clandestinos paguem uma multa, aprendam inglês e voltem para o fim da fila na oportunidade de obter cidadania norte-americana.
OUTRAS QUESTÕES?
Analistas dizem que Obama poderia ser mal aconselhado a reabrir a polêmica sobre a imigração num momento em que a crise econômica já custa 200 mil postos de trabalho por mês.
"Tentar argumentar que precisamos legalizar as pessoas que estão ilegalmente no país, quando o país está perdendo empregos em um dos ritmos mais rápidos dos últimos 20 anos, é realmente algo difícil de empurrar", disse Steven Camarota, diretor de pesquisas da entidade Centro para os Estudos da Imigração, que defende uma fiscalização mais rígida.
Formadores de opinião dizem que há outras rotas possíveis para que Obama mantenha suas promessas a respeito da reforma migratória e tranqüilize o eleitorado latino.
"Há passos que o novo presidente pode dar para demonstrar aos eleitores latinos que ele pretende tratar da questão", disse o jornal Los Angeles Times em editorial.
Isso incluiria, na opinião do jornal, parar com as blitze em locais de trabalho, o que já levou à prisão de milhares de empregados, especialmente hispânicos em fábricas de Iowa e Mississippi, e a formação de um consenso bipartidário sobre a chamada Lei do Sonho, que permite a legalização de estudantes secundaristas com boas notas, mas que estejam clandestinos.
"De qualquer forma que ele fizer isso, precisa cumprir o sonho de mudança deles", concluiu o editorial.

Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/11/19/latinos_dos_eua_devem_pressionar_obama_sobre_imigracao-586464052.asp

Imigração aumentou 24% no Reino Unido em 2007

Imigração aumentou 24% no Reino Unido em 2007

- O número de imigrantes no Reino Unido aumentou 24% em 2007 em relação ao ano anterior, para um total de 237.000 pessoas, informou hoje o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês).
Segundo dados da ONS, o número de imigrantes estabelecidos no país aumentou em relação a 2006 porque as chegadas não foram compensadas com saídas.
O número estimado de pessoas que chegaram à Grã-Bretanha em 2007 para morar 12 meses foi de 577.000, comparado com 591.000 no ano anterior, enquanto a quantidade de quem deixou o país passou de 400.000 em 2006 para 340.000 no ano passado.
As estatísticas apresentadas hoje indicam que o número de imigrantes aumentou em 1,8 milhão de pessoas desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em 1997, ano em que o número líquido foi de 50.000.
A ONS também disse que o número de solicitantes de asilo no Reino Unido entre julho e setembro deste ano foi de 6.620, 12% mais que no mesmo período de 2007, o que representa a quinta alta trimestral consecutiva.
Nos 12 meses até setembro passado, houve um total de 25.800 pedidos de asilo, 15% mais que nos 12 meses precedentes.
Também houve um aumento do número de pessoas que deixou o país entre julho e setembro, para 17.500 pessoas, 9% mais que no mesmo período do ano anterior, diz a ONS.
O secretário de Estado de Imigração, Phil Woolas, lembrou que estes números são anteriores à introdução do novo sistema de controle da imigração por pontos, que estabelece um estrito processo de seleção.
A ONS informou também que o número de pessoas da Europa do Leste que foram registradas para trabalhar neste país de julho a setembro de 2008 caiu em 21.000, comparado com a do mesmo período de 2007, rompendo assim uma tendência dos últimos anos.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL867736-5602,00-IMIGRACAO+AUMENTOU+NO+REINO+UNIDO+EM.html

Imigrantes não são mais criminosos que os nacionais

Imigrantes não são mais criminosos

Uma investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Maria João Guia, estudou as relações entre imigração e criminalidade e concluiu que "os estrangeiros não são mais criminosos do que os portugueses". Maria João Guia afirmou que "os imigrantes não são mais criminosos do que antes, nem cometem mais crimes do que os portugueses, apesar de haver diferença nas proporções dos grupos".
No passado dia 10 de Outubro, a investigadora do CES defendeu a sua dissertação de mestrado, intitulada "Imigração e criminalidade - caleidoscópio de imigrantes reclusos", um trabalho que realizou sob orientação da professora Maria Ioannis Baganha, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. "Existem factos em comum entre determinadas nacionalidades e determinadas condenações", verificou, frisando, no entanto, que "também os imigrantes contribuem para o avanço da economia e da sociedade" em Portugal.
O trabalho estatístico em que Maria João Guia baseou o seu estudo foram sobretudo dados sobre reclusos estrangeiros, em 2002 e 2005, facultados pela Direcção-Geral de Serviços Prisionais. "Concluiu-se que os imigrantes, em geral, não cometem hoje mais crimes do que antes", refere na contracapa da sua tese, que a autora e a Livraria Almedina apresentam hoje, em Coimbra, na loja da editora no Estádio Municipal.
No seu trabalho, Maria João Guia procura "desmistificar o preconceito de que todo o imigrante é criminoso". "Através da análise de diversas variáveis, tais como nacionalidade, sexo, idade, habilitações literárias, pena e crime, foi possível constituir uma tipologia de quatro grupos de imigrantes, cujas condenações por tipos de crime e outras variáveis se aproximavam", explica.
Segundo a autora, "este livro é uma tentativa de repor verdades e de analisar com o rigor possível as realidades da imigração e da criminalidade", salienta. Na sua opinião, o assunto deverá ser, pelo contrário, "encarado em diferentes perspectivas, visto integrar-se numa realidade social em constante mutação".
Maria João Guia realça, por outro lado, que os processos de globalização "estão a fomentar grandes movimentos migratórios" e que "muitos países de acolhimento não estão preparados para receber um número elevado de imigrantes". Esses países "enfrentam problemas sociais graves, nomeadamente o aparecimento de novos tipos de crime".
"Aparentemente" - afirma -, "crimes como o auxílio à imigração ilegal, o tráfico de seres humanos, a angariação de mão-de-obra ilegal, o lenocínio, a extorsão e a falsificação de documentos estão a aumentar". Tais crimes proporcionam "elevados lucros" e são "frequentemente atribuídos aos imigrantes". "No entanto, são os imigrantes que constituem a maioria das vítimas dos mesmos", conclui a investigadora do CES.
Quando se verifica um aumento da imigração, "vem o bom e o mau", declarou, admitindo que alguma da criminalidade trazida para Portugal por estrangeiros "já exista antes" nos países de origem. "Se se verificou a entrada de um grande número de estrangeiros em Portugal nos últimos anos, naturalmente houve um aumento do número de reclusos estrangeiros", sublinha Maria João Guia nas conclusões.
Estão ainda agendadas sessões de lançamento da obra em Lisboa, no dia 24 de Novembro, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, e no Porto, em 03 de Dezembro, na Livraria Almedina Arrábida.

Fonte: http://noticias.pt.msn.com/article.aspx?cp-documentid=11097707

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sete por cento da população activa no país é estrangeira

Sete por cento da população activa no país é estrangeira

Em Portugal existem 150 nacionalidades», diz alta comissária para a Imigração e Minorias Étnicas.

Sete por cento da população activa em Portugal é de nacionalidades estrangeiras, afirmou hoje, em Lisboa, a alta comissária para a Imigração e Minorias Étnicas, Rosário Farmhouse.
«Em Portugal existem 150 nacionalidades, o que representa cinco por cento da população residente no país e sete por cento da população activa», revelou a alta comissária na conferência «Lisboa - uma metrópole charneira de culturas», inserida no II Ciclo de Conferências «Lisboa 2020 - Uma Metrópole Competitiva», realizado na Fundação Cidade de Lisboa.
Imigrantes sentem-se discriminados nos media Espanha reduz contratação de imigrantes
Rosário Farmhouse considera que Portugal está «bastante bem lançado» nas políticas e nas práticas de integração dos imigrantes, tendo ficado em segundo lugar num estudo realizado no ano passado pelo «British Council» neste domínio.
A cidade de Lisboa «enriqueceu e desenvolveu-se com a mistura intercultural e empobreceu quando se fechou à diversidade», sublinhou a alta comissária.
«Nesta fase de crise, muitos países fecham-se à imigração, não percebendo que a abertura ajuda ao desenvolvimento desses países», acrescentou.
«Viver em harmonia com os outros povos»
O professor universitário e sociólogo Adriano Moreira, também presente na conferência, acredita que na Europa ainda não foi encontrada uma forma de «viver em harmonia com os outros povos» e de «gerir os conflitos».
«As sociedades estão a viver em regime de intolerância e não chega a tolerância. É preciso haver respeito pelas outras pessoas e, para isso, ainda há um longo caminho a percorrer», disse.
Adriano Moreira afirmou, também, que Lisboa tem «bairros fechados e não tem escolas inclusivas», mas Rosário Farmhouse contestou dizendo que «há muitas escolas do primeiro ciclo que têm sabido aproveitar a diversidade».
«As crianças que, desde pequenas, exploram as diferenças de cada um são sementes de esperança, vão ser melhores adultos e fazer uma Lisboa melhor», frisou a alta comissária.
De acordo com Rosário Farmhouse, o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) lançou no ano passado um convite à sociedade civil e às instituições públicas e privadas, nomeadamente às autarquias, para inserirem nas suas actividades o tema do diálogo intercultural.
Já aderiram a esta iniciativa 400 instituições - que, através de várias actividades, desde eventos gastronómicos até ao incentivo nas escolas para que os alunos apresentem aos colegas um pouco da sua cultura - vão dando a conhecer outras culturas.
O Ano Europeu do Diálogo Intercultural decorre ao longo de 2008, com várias iniciativas, públicas e privadas.

FONTE: http://diario.iol.pt/sociedade/imigracao-estudo-portugal-populacao-activa-imigrantes-ultimas-noticias/1004701-4071.html

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Regras de imigração na UE são mais generosas que na América Latina, diz Barroso

Regras de imigração na UE são mais generosas que na América Latina, diz Barroso

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080704_europaimigracao_mb_mp.shtml

O presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta sexta-feira que as novas regras de imigração européias são “de maneira geral, mais generosas que aquelas que os países da América Latina têm entre si”.
Barroso respondeu assim às críticas feitas por diversos países latino-americanos em relação à chamada diretiva de retorno, adotada para regular a política de repatriação de imigrantes ilegais em toda a União Européia (UE).

Leia mais na BBC Brasil: Parlamento europeu aprova lei que facilita expulsão de imigrantes

“Honestamente, acho que o criticismo não é justo. A diretiva do retorno é realmente um progresso, até do ponto de vista da América Latina”, afirmou Barroso em um encontro com um grupo de jornalistas.
Para Barroso, o regulamento tem como vantagem o fato de determinar “regras claras” para os 27 países da UE em uma área na qual até agora cada governo estabelecia suas próprias políticas.
Também ressaltou que a diretiva estabelece “limites máximos” de detenção e permite que os países onde esse período é mais curto continuem aplicando sua própria legislação.
“Não estamos baixando os padrões (no tratamento dos imigrantes)”, afirmou.
Rejeição
No início da semana, também o porta-voz europeu de Justiça e Imigração, Michele Cercone, pediu que os países latino-americanos evitassem “caricaturar” a diretiva européia.
“Deveriam ler com atenção (o regulamento) e entender o que diz”, disse em uma entrevista coletiva.
“(A diretiva) não introduz de maneira nenhuma a noção de expulsar os imigrantes irregulares. O que ela introduz são padrões mínimos que devem ser respeitados por todos os países quando tomam essa decisão.”
De acordo com as novas regras, uma pessoa que for descoberta ilegalmente no bloco e se recusar a voltar voluntariamente a seu país em até trinta dias poderá ser detida por um período máximo de seis meses, excepcionalmente ampliável para 18 meses.
Na última terça-feira, em sua reunião de cúpula, o Mercosul rejeitou o regulamento, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que os imigrantes latino-americanos sofrem “perseguição odiosa” na Europa.

Leia: Lula diz que latino-americanos sofrem 'perseguição odiosa' na Europa

Anteriormente, também a Organização de Estados Americanos (OEA) e o Grupo do Rio, formado por 21 países latino-americanos, pronunciaram-se contra a diretiva de retorno.

Um em quatro imigrantes na Espanha é pobre, diz relatório

Um em quatro imigrantes na Espanha é pobre, diz relatório

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/09/080915_espanhaimigrantes_ai.shtml


Um relatório divulgado nesta segunda-feira na Espanha afirma que um entre cada quatro imigrantes no país já vive abaixo do nível de pobreza.
O documento Inclusão Social da Imigração, da Fundação Caixa Catalunha, indica que 26% das mulheres e 24% dos homens nascidos fora da Europa estão vivendo em condições de pobreza moderada.
Mais da metade dos imigrantes (53%) admite que está chegando ao fim do mês no vermelho, afirma o relatório, que desenha um quadro negativo para os que chegam à Espanha em busca de trabalho - e são os principais atingidos pela crise econômica.
O problema começa com a diferença salarial. Em média, os trabalhadores estrangeiros ganham 20% menos do que os europeus.
Em seguida, está a precariedade do mercado: 58% das mulheres e 54% dos homens imigrantes não têm contrato de trabalho.
O relatório aponta para um "risco de grave fratura social", principalmente porque o número de pobres estrangeiros triplica o de carentes espanhóis.
"O mais preocupante é o quadro infantil. Os menores imigrantes são não apenas os mais pobres, mas também os que padecem de pobreza mais intensa", disse a diretora do Instituto de Infância e Meio Urbano da Catalunha, Carmen Granell, coordenadora do documento.
Segundo os dados que ela apresentou em entrevista coletiva, 52% das crianças filhas de imigrantes estão em risco de pobreza moderada e 28%, de pobreza severa, um índice sete vezes superior ao de menores espanhóis.
Rosto da pobreza
A situação das crianças é tão alarmante, segundo os autores do relatório, que a Espanha se tornou o país com maior taxa de pobreza infantil da Europa ocidental.
"O novo rosto da pobreza na Espanha é o de um menor imigrante", definiu o informe.
Os autores também criticam os sucessivos governos espanhóis das últimas décadas por enfatizar em políticas sociais de proteção aos idosos, "abandonando as maiores bolsas de pobreza, onde estão as crianças".
Os índices da crise que já colocou a Espanha em nível de recessão técnica, segundo a Comissão Européia, agravam as circunstâncias: a taxa de crescimento caiu de 4% para 1,8%; o desemprego alcançou o pior nível da última década - com 2,53 milhões de trabalhadores na rua - e a inflação aumentou em 123%, passando de 2,2% para 4,9% em um ano.
Diante desse panorama, os imigrantes estão optando entre trabalhos alternativos ou recorrem à repatriação.
A primeira medida do governo foi ampliar o programa de retorno voluntário, que oferece passagem e ajuda financeira para os imigrantes dispostos a retornar a seus países. Com isso, o Ministério do Trabalho espera repatriar em torno de 100 mil imigrantes nos próximos meses.
Em 2007, sobrou verba do orçamento anual de 1,7 milhão de euros, mas desde maio de 2008 há filas de espera.
Brasileiros
Com cerca de 800 requisições à espera, os brasileiros estão entre as cinco nacionalidades que mais têm pedido para voltar, atrás de bolivianos, argentinos, colombianos e equatorianos. Mas o número ainda é considerado pouco.
"Calculamos que 75% dos latino-americanos insistem em ficar. Primeiro, porque não querem renunciar às licenças de trabalho e residência (condições prévias para o retorno); segundo, porque muitos não cumprem os requisitos estando ilegais; e terceiro, porque quando vêem que o processo não é imediato decidem procurar outras alternativas", disse Manuel Pombo, diretor da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
A porta-voz do serviço de atenção aos imigrantes da Cruz Vermelha, Carmen de la Corte, acredita que, apesar da crise, muitos estrangeiros continuarão tentando se manter na Espanha.
"São trabalhadores flexíveis, passam de um setor a outro e têm mobilidade geográfica. Isso amplia suas possibilidades. Eles se adaptam melhor que os europeus aos tempos de crise", definiu.

Espanha introduz plano radical para imigrantes

Espanha introduz plano radical para imigrantes

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2008/09/080904_spainmigrantsplanlc.shtml

Para muitos imigrantes, o trabalho actual vai ser o último
Nos arredores da capital espanhola, Madrid, a estação ferroviária central de "Três Cantos" está a ser completamente renovada.
Debaixo do sol escaldante do meio-dia, trabalhadores migrantes do norte de África, da América Latina e da antiga Europa de Leste movimentam blocos de cimento gigantes nas plataformas e alinham com pedras o espaço entre os carris.
Este trabalho pesado rende a cada trabalhador cerca de 1,200 euros (cerca de 1,900 dólares) mensais, e muitos são os que querem aproveitar esta oportunidade.
Com o sector da construção em crise profunda, o patronato espanhol não tem mais nenhum projecto em carteira, e assim sendo estes trabalhadores já esperam pelo despedimento colectivo uma vez findo este contrato.
Mas, será que algum destes trabalhadores irá aceitar a nova oferta do governo espanhol destinado a migrantes desempregados?
Caso estes trabalhadores estrangeiros decidam voltar aos seus países de origem e não regressar a Espanha por um período mínimo de três anos, poderão concorrer a um subsídio extraordinário no valor de cerca de 18,000 euros (cerca de 26,000 dólares)
O plano abrange cidadãos de 19 países fora da União Europeia com os quais Espanha assinou acordos bilaterais de segurança social.
"Se alguém me oferecesse essa quantia agora, ía-me embora", afirmou Patrick, da Guiné-Equatorial. "No meu país esse dinheiro dava para ir longe, podia até investi-lo", acrescentou.
Guillermo, da República Dominicana frisou contudo que "caso a economia prossiga como até aqui, vamos mesmo todos ter que nos ir embora". Mas dada a possibilidade de esclha, Guilhermo diz preferir ficar: "Já me sinto espanhol", explicou.
Subsídios de desemprego
No espaço de apenas uma década, o número de imigrantes em Espanha cresceu de forma impressionante, havendo hoje 800% mais estrangeiros do que há 10 anos atrás.
A mão-de-obra imigrante provou ser um factor indispensável para o crescimento económico em flecha impulsionado pelo sector da construção. E enquanto havia emprego, Espanha parecia escapar às tensões que noutros países são normalmente associadas à imigração.
Hoje, porém, com uma taxa de desemprego a rondar os 10,7 por cento, o cenário mudou.
"Os imigrantes eram vistos por todos como uma ajuda ao país", explica o economista Pedro Schwarz.
"Os imigrantes encontraram emprego na construção, alimentado o crescimento económico e contendo o crescimento dos salários. Hoje, com o número de desempregados a subir, alguns cidadãos espanhóis queixam-se que os novos imigrantes se estão a aproveitar dos subsídios de desemprego".
Actualmente os cerca de 2,1 milhões de estrangeiros que beneficiam da Segurança Social espanhola são contribuintes líquidos do sistema, pagando mais do que aquilo que recebem.
Mas nos últimos 12 meses, o número de imigrantes que decidem recorrer ao subsídio de desemprego cresceu 81% oara um total de 178,230 no passado mês de Julho.
"Os que estamos a tentar fazer é interligar a imigração ao mercado de trabalho", explica o ministro espanhol do trabalho e imigração, Celestino Corbacho.
"As previsões apontam para que a economia recupere dentro de dois ou três anos, portanto eu penso que é bom oferecer escolhas às pessoas".
"Se oferecermos a alguém 15,000 dólares, esse dinheiro vai concerteza criar mais oportunidades no seu país de origem do que aqui em Espanha".
"Obrigado e adeus"
De acordo com as regras deste esquema - que deverá entrar em vigor já este mês - os imigrantes que decidam participar dele receberiam o equivalente a dois anos de subsídio de desemprego: 40% no momento da inscrição no esquema, e o restante após o regresso, já no seu país de origem
Para serem elegíveis os trabalhadores migrantes terão de entregar às autoridades espanholas os documentos de autorização de residência e trabalho em Espanha durante o peírodo de vigência do acordo.
O governo espanhol insiste que esta medida é ditada apenas pelo senso comum dado os actuais problemas económicos que o país atravessa, mas vários grupos de defesa dos direitos dos imigrantes têm dúvidas.
"Eu sinto-me usado", queixa-se Washington Tobar da Fundação Hispano-Equatoriana, com sede em Madrid.
"Quando precisavam de mão-de-obra barata as portas estavam abertas. Agora, que não precisam de nós, dizem-nos apenas 'Obrigado e adeus' e esperam que nós regressemos aos nossos países".
Num apartamento modesto no bairro La Latina, em Madrid, Leonardo Ramirez, de 42 anos, prepara o almoço para os seus dois filhos.
Licenciado em marketing no seu país de origem, o Equador, Leonardo construiu a sua vida trabalhando na construção civil, até que há um ano, esgotou-se o trabalho.
Hoje em dia Leonardo arrenda um quarto na sua casa para ajudar a pagar o empréstimo da casa. Ele faz parte dos 100,000 trabalhadores imigrantes desempregados que o governo espera aliciar com esta nova oferta.
Mas Leonardo não parece estar muito interessado. "Mesmo 20,000 ou 30,000 dólares não representa muito dinheiro no país de onde venho", diz.
"Estamos a falar de pessoas que têm de comprar casa, e a educação dos filhos é cara. Para além disso as famílias imigrantes já estão aqui integradas e não querem ter de começar do zero outra vez".
Evitar conflitos
Na rua onde vive Leonardo Ramirez, podem ver-se filhos de imigrates a jogar à bola, enquanto que das janelas de outros apartamentos se podem ouvir os sons de música latino-americana dos vizinhos.
Espanha de hoje é completamente diferente da de há 10 anos atrás e o governo está, de uma forma controversa, a tentar voltar atrás no tempo.
Mas o ministro Celestino Carbacho rejeita as acusações de ingratidão de Espanha e nega que os imigrantes estejam a ser usados como desculpa para os problemas económicos que o país atravessa.
"A imigração não é um problema, é um fenómeno", afirma o ministro.
"E os fenómenos nunca são neutrais - eles mudam muitas coisas e criam novos desafios. O nosso desafio é lidar com este fenómeno para que a nossa sociedade, diversa e multicultural, evite conflitos daqui por diante", diz Carbacho.
Esta não deixa de ser uma proposta radical vinda de um governo socialista que pareceu evitar o assunto durante a campanha para as últimas eleições de Março passado, que venceu.
Agora, os políticos esperam, literalmente, que os problemas se esvaneçam por si próprios. Entretanto, outros governos da União Europeia que atravessam os mesmos problemas, vão ficar de olhos postos em Espanha, para avaliar os resultados deste esquema radical.