terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Itália inicia deportação imediata de imigrantes
ROMA (Reuters) - A Itália vai mandar de volta os imigrantes ilegais que chegarem a sua costa a partir de terça-feira, após uma onda inesperada de imigração na época do Natal que lotou seus centros para estrangeiros, disse o ministro do Interior.
Trinta e oito egípcios vão voltar ao Cairo de avião na terça-feira, o primeiro grupo a ser deportado sob o novo plano anunciado pelo governo de direita da Itália, que tem como prioridade uma ofensiva contra a imigração ilegal desde que chegou ao poder em maio.
O ministro do Interior, Roberto Maroni, membro da Liga Norte antiimigração, disse que a Itália enfrenta uma emergência após cerca de 2.000 imigrantes desembarcarem na ilha de Lampedusa, no sul do país, desde o Natal.
"Eu organizei a abertura de um centro adequado para a identificação e expulsão", disse Maroni a uma rádio italiana.
Uma porta-voz da agência de refugiados da ONU disse que a medida aumenta o risco de "expulsão generalizada" e apelou para o governo respeitar o direito dos imigrantes.
"É importante, mesmo em uma situação de emergência, garantir informações sobre os direitos deles e permitir a todos os que expressam interesse em conseguir asilo que sejam transferidos o quanto antes para os centros apropriados", disse Laura Boldrini à agência de notícias ANSA.
A extensão da costa da Itália e a proximidade à África tornam o país um popular ponto de entrada para a Europa para milhares de migrantes desesperados que se arriscam em embarcações precárias e lotadas todos os anos, muitos acabam morrendo durante a travessia.
O número de migrantes ilegais a chegar à costa italiana dobrou nos primeiros sete meses do ano, fazendo com que o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi declarasse estado de emergência nacional em julho.
(Texto de Deepa Babington)
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/mundo_italia_deportacao
sábado, 27 de dezembro de 2008
Mudanças propostas para a imigração são essenciais
26/12 - 08:24 - The New York Times
Ainda é muito cedo para saber se os Estados Unidos sob a presidência de Barack Obama irão restaurar o realismo, a sanidade e a legalidade de seu sistema imigratório. Mas nunca é cedo demais para termos esperança e a perspectiva parece boa, pelo menos entre os indicados ao novo gabinete.
Se a equipe de Obama for confirmada, o país terá uma secretária de segurança nacional, Janet Napolitano do Arizona, e um secretário do comércio, Bill Richardson do Novo México, que entendem a região da fronteira e compartilham um desdém bem informado pelas tolas e inadequadas medidas adotadas pela gestão Bush, como a colocação de uma cerca ao longo da divisa com o México. Além disso, terá a secretária do trabalho, Hilda Solis da Califórnia, que, como senadora estadual e congressista, construiu a reputação de ser uma grande defensora dos imigrantes e trabalhadores.
A convergência de imigrantes e trabalhadores é exatamente o que este país (principalmente, e desastradamente, a gestão Bush) não conseguiu resolver.
Em termos mais simples, o que Solis e Obama parecem saber é isso: se mantiverem os direitos trabalhistas, mesmo para os imigrantes ilegais, os manterão para todos os americanos. Se ignorarem e prejudicarem os direitos dos imigrantes ilegais, irão encorajar a exploração que prejudicaria as condições de trabalho em todo o país. Em um momento economicamente sombrio, a estabilidade e dignidade da força de trabalho são especialmente vitais.
É por isso que é tão importante reverter as táticas imigratórias da gestão Bush, que durante anos atacou o problema de cima para baixo e ao inverso. Para agradar os nativistas republicanos, desperdiçou recursos escassos simplesmente caçando e punindo imigrantes ilegais. Sua campanha de fiscalização, prisão e a cerca na fronteira não passou de uma perda moral. Entre outras coisas, essas medidas aterrorizaram e separaram famílias e levaram a mortes terríveis em prisões obscuras. Elas zombaram da tradição americana de receber e acomodar os trabalhadores imigrantes.
Essas medidas não impedem a onda de ilegais porque criaram as condições perfeitas para o trabalho não registrado. Imigrantes ilegais não podem criar sindicatos e sem um caminho para a legalização e sob a ameaça de um regime de fiscalização dura não podem exigir seus direitos.
Este é um sistema que os donos de negócios escusos (como o matadouro em Postville, Iowa, que usava trabalho imigrante infantil) não poderiam ter feito melhor. Além disso, a resposta da gestão Bush às críticas sempre foi endurecer ainda mais a fiscalização.
Solis, cujo pai imigrou do México e se tornou caminhoneiro e a mãe , da Nicarágua, trabalhou em uma linha de montagem industrial, promete um novo começo. Ela vive em El Monte, um subúrbio de Los Angeles no qual duas histórias de imigrantes e trabalho tocantes aconteceram nos últimos anos.
A primeira foi trágica: uma famosa fiscalização em uma fábrica clandestina de roupas em 1995 na qual trabalhadores tailandeses eram mantidos em condições escravocratas por trás de arame farpado. A segunda é menos conhecida e mais encorajadora: um ponto de contratação para trabalhadores temporários na esquina do estacionamento da loja Home Depot. Os homens latinos que se reúnem neste lugar seguro e bem coordenado mantém a exigência do salário mínimo e protegem a si mesmos de empregadores abusivos e ladrões de salários. Isso é bom para a loja, seus clientes e trabalhadores.
Solis é defensora de tais práticas e se opõe a medidas estabelecidas por outros municípios para dispersar os homens, fazendo com que eles vivam nas sombras. Ela entende que se os trabalhadores temporários acabarem nos nossos subúrbios, seria melhor lhes dar segurança do que piorar as condições de trabalho para todos.
Essa é uma sabedoria local que merece espaço no governo federal.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2008/12/26/editorial+++mudancas+propostas+para+a+imigracao+sao+essenciais+3225810.html
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Latinos dos EUA devem pressionar Obama sobre imigração
LOS ANGELES (Reuters) - Após meses sendo deixado de lado, o eleitorado latino-americano, importante na eleição de Barack Obama como presidente dos EUA, deve pressionar o novo governo a colocar a reforma da imigração novamente na pauta.
Cerca de 12 milhões de imigrantes, a maioria hispânicos, vivem e trabalham ilegalmente nos Estados Unidos. O que fazer com eles é um tema que divide a população norte-americana.
Como senador, o democrata Obama apoiou no ano passado um projeto bipartidário que abria caminho para a legalização dos clandestinos. A bancada republicana rejeitou o projeto por considerá-lo uma forma de "anistia".
Obama apóia uma reforma mais abrangente, que inclua uma maior vigilância nas fronteiras e punições a patrões que contratam imigrantes clandestinos.
Os hispânicos com cidadania norte-americana - entre os quais dois terços votaram em Obama - consideram que a economia e a guerra do Iraque são questões mais importantes, mas ativistas e analistas dizem que eles também prestam atenção à questão imigratória e esperam medidas.
"Votamos numa pessoa que acreditávamos entender a importância dos imigrantes para este país", disse Angélica Salas, diretora-executiva da Coalizão para os Direitos Humanos dos Imigrantes, em Los Angeles.
"Embora não seja estritamente um toma-lá-dá-cá, há expectativa de que ele cumpra essas promessas". acrescentou.
A imigração foi pouco abordada numa campanha em que Obama e o republicano John McCain tiveram o cuidado de não afastar nem o eleitorado latino nem os norte-americanos contrários à reforma.
Os hispânicos são a minoria que mais cresce nos EUA, e já respondem por cerca de 9 por cento do eleitorado.
"A questão para os democratas ao tentarem lidar com a reforma da imigração é se eles vão dar como fato consumado ou vão sentir que precisam de algo em mais curto prazo para solidificar ," disse Tamar Jacoby, dirigente da entidade ImmigrationWorksUSA, que reúne empregadores de todo o país.
As divisões são grandes. Os mais radicais dizem que os imigrantes ilegais sugam recursos e deveriam ser presos e deportados. Obama e seu vice, Joe Biden, defendem que os clandestinos paguem uma multa, aprendam inglês e voltem para o fim da fila na oportunidade de obter cidadania norte-americana.
OUTRAS QUESTÕES?
Analistas dizem que Obama poderia ser mal aconselhado a reabrir a polêmica sobre a imigração num momento em que a crise econômica já custa 200 mil postos de trabalho por mês.
"Tentar argumentar que precisamos legalizar as pessoas que estão ilegalmente no país, quando o país está perdendo empregos em um dos ritmos mais rápidos dos últimos 20 anos, é realmente algo difícil de empurrar", disse Steven Camarota, diretor de pesquisas da entidade Centro para os Estudos da Imigração, que defende uma fiscalização mais rígida.
Formadores de opinião dizem que há outras rotas possíveis para que Obama mantenha suas promessas a respeito da reforma migratória e tranqüilize o eleitorado latino.
"Há passos que o novo presidente pode dar para demonstrar aos eleitores latinos que ele pretende tratar da questão", disse o jornal Los Angeles Times em editorial.
Isso incluiria, na opinião do jornal, parar com as blitze em locais de trabalho, o que já levou à prisão de milhares de empregados, especialmente hispânicos em fábricas de Iowa e Mississippi, e a formação de um consenso bipartidário sobre a chamada Lei do Sonho, que permite a legalização de estudantes secundaristas com boas notas, mas que estejam clandestinos.
"De qualquer forma que ele fizer isso, precisa cumprir o sonho de mudança deles", concluiu o editorial.
Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/11/19/latinos_dos_eua_devem_pressionar_obama_sobre_imigracao-586464052.asp
Imigração aumentou 24% no Reino Unido em 2007
Imigração aumentou 24% no Reino Unido em 2007
- O número de imigrantes no Reino Unido aumentou 24% em 2007 em relação ao ano anterior, para um total de 237.000 pessoas, informou hoje o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês).
Segundo dados da ONS, o número de imigrantes estabelecidos no país aumentou em relação a 2006 porque as chegadas não foram compensadas com saídas.
O número estimado de pessoas que chegaram à Grã-Bretanha em 2007 para morar 12 meses foi de 577.000, comparado com 591.000 no ano anterior, enquanto a quantidade de quem deixou o país passou de 400.000 em 2006 para 340.000 no ano passado.
As estatísticas apresentadas hoje indicam que o número de imigrantes aumentou em 1,8 milhão de pessoas desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em 1997, ano em que o número líquido foi de 50.000.
A ONS também disse que o número de solicitantes de asilo no Reino Unido entre julho e setembro deste ano foi de 6.620, 12% mais que no mesmo período de 2007, o que representa a quinta alta trimestral consecutiva.
Nos 12 meses até setembro passado, houve um total de 25.800 pedidos de asilo, 15% mais que nos 12 meses precedentes.
Também houve um aumento do número de pessoas que deixou o país entre julho e setembro, para 17.500 pessoas, 9% mais que no mesmo período do ano anterior, diz a ONS.
O secretário de Estado de Imigração, Phil Woolas, lembrou que estes números são anteriores à introdução do novo sistema de controle da imigração por pontos, que estabelece um estrito processo de seleção.
A ONS informou também que o número de pessoas da Europa do Leste que foram registradas para trabalhar neste país de julho a setembro de 2008 caiu em 21.000, comparado com a do mesmo período de 2007, rompendo assim uma tendência dos últimos anos.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL867736-5602,00-IMIGRACAO+AUMENTOU+NO+REINO+UNIDO+EM.html
Imigrantes não são mais criminosos que os nacionais
Uma investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Maria João Guia, estudou as relações entre imigração e criminalidade e concluiu que "os estrangeiros não são mais criminosos do que os portugueses". Maria João Guia afirmou que "os imigrantes não são mais criminosos do que antes, nem cometem mais crimes do que os portugueses, apesar de haver diferença nas proporções dos grupos".
No passado dia 10 de Outubro, a investigadora do CES defendeu a sua dissertação de mestrado, intitulada "Imigração e criminalidade - caleidoscópio de imigrantes reclusos", um trabalho que realizou sob orientação da professora Maria Ioannis Baganha, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. "Existem factos em comum entre determinadas nacionalidades e determinadas condenações", verificou, frisando, no entanto, que "também os imigrantes contribuem para o avanço da economia e da sociedade" em Portugal.
O trabalho estatístico em que Maria João Guia baseou o seu estudo foram sobretudo dados sobre reclusos estrangeiros, em 2002 e 2005, facultados pela Direcção-Geral de Serviços Prisionais. "Concluiu-se que os imigrantes, em geral, não cometem hoje mais crimes do que antes", refere na contracapa da sua tese, que a autora e a Livraria Almedina apresentam hoje, em Coimbra, na loja da editora no Estádio Municipal.
No seu trabalho, Maria João Guia procura "desmistificar o preconceito de que todo o imigrante é criminoso". "Através da análise de diversas variáveis, tais como nacionalidade, sexo, idade, habilitações literárias, pena e crime, foi possível constituir uma tipologia de quatro grupos de imigrantes, cujas condenações por tipos de crime e outras variáveis se aproximavam", explica.
Segundo a autora, "este livro é uma tentativa de repor verdades e de analisar com o rigor possível as realidades da imigração e da criminalidade", salienta. Na sua opinião, o assunto deverá ser, pelo contrário, "encarado em diferentes perspectivas, visto integrar-se numa realidade social em constante mutação".
Maria João Guia realça, por outro lado, que os processos de globalização "estão a fomentar grandes movimentos migratórios" e que "muitos países de acolhimento não estão preparados para receber um número elevado de imigrantes". Esses países "enfrentam problemas sociais graves, nomeadamente o aparecimento de novos tipos de crime".
"Aparentemente" - afirma -, "crimes como o auxílio à imigração ilegal, o tráfico de seres humanos, a angariação de mão-de-obra ilegal, o lenocínio, a extorsão e a falsificação de documentos estão a aumentar". Tais crimes proporcionam "elevados lucros" e são "frequentemente atribuídos aos imigrantes". "No entanto, são os imigrantes que constituem a maioria das vítimas dos mesmos", conclui a investigadora do CES.
Quando se verifica um aumento da imigração, "vem o bom e o mau", declarou, admitindo que alguma da criminalidade trazida para Portugal por estrangeiros "já exista antes" nos países de origem. "Se se verificou a entrada de um grande número de estrangeiros em Portugal nos últimos anos, naturalmente houve um aumento do número de reclusos estrangeiros", sublinha Maria João Guia nas conclusões.
Estão ainda agendadas sessões de lançamento da obra em Lisboa, no dia 24 de Novembro, na Livraria Almedina Atrium Saldanha, e no Porto, em 03 de Dezembro, na Livraria Almedina Arrábida.
Fonte: http://noticias.pt.msn.com/article.aspx?cp-documentid=11097707
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Sete por cento da população activa no país é estrangeira
Em Portugal existem 150 nacionalidades», diz alta comissária para a Imigração e Minorias Étnicas.
Sete por cento da população activa em Portugal é de nacionalidades estrangeiras, afirmou hoje, em Lisboa, a alta comissária para a Imigração e Minorias Étnicas, Rosário Farmhouse.
«Em Portugal existem 150 nacionalidades, o que representa cinco por cento da população residente no país e sete por cento da população activa», revelou a alta comissária na conferência «Lisboa - uma metrópole charneira de culturas», inserida no II Ciclo de Conferências «Lisboa 2020 - Uma Metrópole Competitiva», realizado na Fundação Cidade de Lisboa.
Imigrantes sentem-se discriminados nos media Espanha reduz contratação de imigrantes
Rosário Farmhouse considera que Portugal está «bastante bem lançado» nas políticas e nas práticas de integração dos imigrantes, tendo ficado em segundo lugar num estudo realizado no ano passado pelo «British Council» neste domínio.
A cidade de Lisboa «enriqueceu e desenvolveu-se com a mistura intercultural e empobreceu quando se fechou à diversidade», sublinhou a alta comissária.
«Nesta fase de crise, muitos países fecham-se à imigração, não percebendo que a abertura ajuda ao desenvolvimento desses países», acrescentou.
«Viver em harmonia com os outros povos»
O professor universitário e sociólogo Adriano Moreira, também presente na conferência, acredita que na Europa ainda não foi encontrada uma forma de «viver em harmonia com os outros povos» e de «gerir os conflitos».
«As sociedades estão a viver em regime de intolerância e não chega a tolerância. É preciso haver respeito pelas outras pessoas e, para isso, ainda há um longo caminho a percorrer», disse.
Adriano Moreira afirmou, também, que Lisboa tem «bairros fechados e não tem escolas inclusivas», mas Rosário Farmhouse contestou dizendo que «há muitas escolas do primeiro ciclo que têm sabido aproveitar a diversidade».
«As crianças que, desde pequenas, exploram as diferenças de cada um são sementes de esperança, vão ser melhores adultos e fazer uma Lisboa melhor», frisou a alta comissária.
De acordo com Rosário Farmhouse, o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) lançou no ano passado um convite à sociedade civil e às instituições públicas e privadas, nomeadamente às autarquias, para inserirem nas suas actividades o tema do diálogo intercultural.
Já aderiram a esta iniciativa 400 instituições - que, através de várias actividades, desde eventos gastronómicos até ao incentivo nas escolas para que os alunos apresentem aos colegas um pouco da sua cultura - vão dando a conhecer outras culturas.
O Ano Europeu do Diálogo Intercultural decorre ao longo de 2008, com várias iniciativas, públicas e privadas.
FONTE: http://diario.iol.pt/sociedade/imigracao-estudo-portugal-populacao-activa-imigrantes-ultimas-noticias/1004701-4071.html
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Regras de imigração na UE são mais generosas que na América Latina, diz Barroso
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080704_europaimigracao_mb_mp.shtml
O presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, afirmou nesta sexta-feira que as novas regras de imigração européias são “de maneira geral, mais generosas que aquelas que os países da América Latina têm entre si”.
Barroso respondeu assim às críticas feitas por diversos países latino-americanos em relação à chamada diretiva de retorno, adotada para regular a política de repatriação de imigrantes ilegais em toda a União Européia (UE).
Leia mais na BBC Brasil: Parlamento europeu aprova lei que facilita expulsão de imigrantes
“Honestamente, acho que o criticismo não é justo. A diretiva do retorno é realmente um progresso, até do ponto de vista da América Latina”, afirmou Barroso em um encontro com um grupo de jornalistas.
Para Barroso, o regulamento tem como vantagem o fato de determinar “regras claras” para os 27 países da UE em uma área na qual até agora cada governo estabelecia suas próprias políticas.
Também ressaltou que a diretiva estabelece “limites máximos” de detenção e permite que os países onde esse período é mais curto continuem aplicando sua própria legislação.
“Não estamos baixando os padrões (no tratamento dos imigrantes)”, afirmou.
Rejeição
No início da semana, também o porta-voz europeu de Justiça e Imigração, Michele Cercone, pediu que os países latino-americanos evitassem “caricaturar” a diretiva européia.
“Deveriam ler com atenção (o regulamento) e entender o que diz”, disse em uma entrevista coletiva.
“(A diretiva) não introduz de maneira nenhuma a noção de expulsar os imigrantes irregulares. O que ela introduz são padrões mínimos que devem ser respeitados por todos os países quando tomam essa decisão.”
De acordo com as novas regras, uma pessoa que for descoberta ilegalmente no bloco e se recusar a voltar voluntariamente a seu país em até trinta dias poderá ser detida por um período máximo de seis meses, excepcionalmente ampliável para 18 meses.
Na última terça-feira, em sua reunião de cúpula, o Mercosul rejeitou o regulamento, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que os imigrantes latino-americanos sofrem “perseguição odiosa” na Europa.
Leia: Lula diz que latino-americanos sofrem 'perseguição odiosa' na Europa
Anteriormente, também a Organização de Estados Americanos (OEA) e o Grupo do Rio, formado por 21 países latino-americanos, pronunciaram-se contra a diretiva de retorno.