terça-feira, 24 de março de 2009
Itália quer limitar número de alunos imigrantes por sala de aula
"Nós estamos pensando em uma quota de 30 por cento", disse Mariastella Gelmini à TV local.
"Tem havido muitos casos de classes quase inteiramente compostas por estudantes imigrantes e obviamente tais condições não são ideais para uma imigração apropriada."
Crianças imigrantes aprenderiam melhor o idioma italiano caso se misturassem mais com estudantes locais, disse a ministra.
As quotas são a mais recente de uma série de iniciativas destinadas a regular a situação dos imigrantes no país, que incluem leis mais duras contra os ilegais. As medidas impulsionaram a popularidade do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, mas também lhe renderam acusações de racismo.
Gelmini tem sido um dos membros mais controversos do ministério de Berlusconi, provocando protestos em escolas e universidades com reformas que incluíram o corte de professores e um maior rigor disciplinar.
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/manchetes_italia_imigrantes_alunos
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Bolívia acusa UE de racismo por medida sobre imigração
La Paz, 10 fev (EFE).- O Governo da Bolívia qualificou hoje de prática "xenófoba e racista" a decisão da União Europeia (UE) de aprovar, na próxima semana, uma diretiva que punirá os empregadores de imigrantes ilegais.
Em comunicado da Chancelaria, o Governo Morales "manifesta sua total rejeição à medida, em consideração ao princípio do irrestrito respeito à universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos".
Segundo o Governo, o Parlamento Europeu deve aprovar formalmente nos próximos dias 18 e 19 de fevereiro a diretiva que estabelece as sanções aos empresários que deem trabalho a imigrantes que não tenham regularizado sua situação.
O comunicado diz ainda que "existe uma decisão plena do Parlamento Europeu para impor sanções penais a ditos empresários que contratem imigrantes em situação irregular".
"O Governo boliviano lamenta igualmente a reposição de certas práticas xenófobas e racistas que tentaram ser eliminadas pela comunidade internacional desde a Segunda Guerra Mundial", diz o comunicado em alusão à diretiva.
A Bolívia pede aos Estados da UE que revisem e reconsiderem tal medida, "levando em conta os acordos internacionais sobre direitos humanos que foram adotados nos âmbitos e instâncias internacionais".
Segundo números oficiais, cerca de meio milhão de imigrantes bolivianos correm risco de perder seus empregos em diversos países da Europa com a aplicação da nova norma.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL996327-5602,00-BOLIVIA+ACUSA+UE+DE+RACISMO+POR+MEDIDA+SOBRE+IMIGRACAO.html
Entidades internacionais apelam pelo fim da perseguição aos migrantes
Especial para o Jornal de UberabaPerto de 10 milhões de pessoas que migraram para a Europa, Estados Unidos e Ásia devem ser forçadas a retornar aos seus países de origem, por causa da crise mundial e das rigorosas leis contra o fluxo migratório. A estimativa é da Scalabrini International Migration Network (SIMN), entidade internacional que reúne mais de 170 organizações pela defesa dos direitos humanos de migrantes, refugiados, exilados e populações em movimento em todo o planeta. De acordo com a ONG, 200 milhões de pessoas são imigrantes, vivendo fora dos seus países, entre elas, 10 milhões de refugiados. Com a crise mundial, os governos buscam culpar os imigrantes pelo desemprego e dão origem a verdadeiros movimentos de xenofobia.Durante o mês de janeiro, mais de mil pessoas foram deportadas dos Estados Unidos para a Guatemala, depois de terem sido “criminalizadas”. Na Itália, o governo já aprovou no senado uma série de medidas, entre elas, a delação por parte dos médicos de estrangeiros em situação irregular. Esses imigrantes poderão responder a até quatro anos de prisão.Preocupada em buscar uma cultura de coexistência pacífica entre os povos sujeitos à mobilidade humana e as populações locais, e em frear medidas internacionais que espelham uma verdadeira “caçada” a seres humanos, a SIMN realizou em Antigua, na Guatemala, o Primeiro Fórum Internacional de Migração e Paz. Mais de 180 personalidades mundiais, entre elas, oito prêmios Nobel da Paz, discutiram a temática “Fronteiras: Muros ou Pontes”, denunciando inúmeras circunstâncias de infração aos direitos humanos, em que os imigrantes são vistos como uma ameaça, vítimas de discriminação e de todos os tipos de humilhação pelos grandes segmentos da sociedade.
Fonte: http://www.jornaldeuberaba.com.br/?MENU=CadernoA&SUBMENU=Geral&CODIGO=28341
Declaração de Antigua
Como resultado de dois dias de intensa reflexão, a SIMN, representantes de governos, instituições acadêmicas, organizações internacionais sociais, religiosas e de direitos humanos, lançaram a Declaração de Antigua. “A carta traz propostas para mudar a percepção das migrações”, destacou o diretor executivo da SIMN, padre Leonir Chiarello. “As migrações internacionais não são um problema, mas uma realidade estrutural da sociedade atual e uma oportunidade para a construção de uma convivência mais pacífica”. A declaração destaca que “a migração é um fenômeno inerente à natureza humana que sempre existiu e não pode ser abrandado por políticas restritivas ou paredes”, ressaltando que “deve ser criada uma cultura de paz nas fronteiras para superar as divisões, o racismo, a discriminação, os conflitos, a pobreza e para erradicar o tráfico humano e as violações dos direitos humanos”.Os protagonistas da Declaração de Antigua, lançada em 30 de janeiro e publicada em 8 de fevereiro, denunciam que “o processo de globalização, o aprofundamento das desigualdades sociais e assimetrias entre os países, aumentam a migração de homens, mulheres e crianças, que, pela sua situação de extrema pobreza, são obrigados a abandonar suas casas e locais de origem”. A Declaração de Antigua pede medidas efetivas para a redução da pobreza extrema; o fim de qualquer forma de violência contra os migrantes, bem como de qualquer forma de racismo, xenofobia ou discriminação, além da ratificação e o cumprimento de tratados internacionais sobre a migração, como a Convenção Internacional das Nações Unidas, para proteger os direitos de todos os trabalhadores migrantes e suas famílias. (RL)
Fonte: http://www.jornaldeuberaba.com.br/?MENU=CadernoA&SUBMENU=Geral&CODIGO=28342
Imigração é a saída para a crise americana, afirma Thomas L.Friedman
Imigrantes elevariam o nível de poupança dos Estados Unidos, criariam novas empresas e impulsionariam a inovação, segundo o colunista do New York Times.
Enquanto o mercado ainda se refaz da frustração causada pela escassez de detalhes dos planos de socorro aos bancos americanos, apresentado nesta terça-feira (10/2) pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, os especialistas buscam as lacunas dos pacotes. A maioria das críticas converge para a insuficiência das medidas, a dificuldade de precificar os ativos podres em poder dos bancos, e a repetição de fórmulas já propostas pelo governo Bush. Uma das avaliações mais originais, até o momento, é a de Thomas L.Friedman, o badalado colunista do jornal New York Times e autor do best seller "O Mundo é Plano". Para Friedman, a solução para a crise americana é abrir ao máximo o país para os imigrantes.
Em um artigo publicado nesta quarta-feira (11/2) no NYT, cujo título é "The Open-Door Bailout" (algo como O pacote das portas abertas, em uma tradução livre), Friedman afirma que o que transformou os Estados Unidos no país mais rico do mundo foi uma fórmula simples. "Não foi o protecionismo, ou os bancos públicos, ou o medo do livre comércio. Não. A fórmula foi muito simples: criar uma economia realmente aberta, realmente flexível, tolerante, cuja destruição criativa permite que o capital morto seja rapidamente reempregado em melhores idéias e companhias, plena dos mais diversos, inteligentes e enérgicos imigrantes de todas as partes do mundo".
Friedman critica a aprovação no início de fevereiro, pelo Senado, de uma medida que proíbe que instituições financeiras que recebam ajuda pública contratem estrangeiros para cargos de alta qualificação ou mesmo empregos temporários. Segundo Friedman, isso é um "mau sinal". "Em uma era na qual atrair o primeiro time intelectual de todo o mundo é a vantagem competitiva mais importante que se pode ter na economia do conhecimento, por que impomos barreiras a esse poder intelectual? Isso se chama ´Velha Europa`. Isso pode ser soletrado como E-S-T-U-P-I-D-E-Z".
O autor relata conversas que teve, nesta semana, com empresários e intelectuais da Índia. Um membro do conselho da Infosys, uma das gigantes de tecnologia do país, por exemplo, lhe disse que proibir a entrada de indianos nos Estados Unidos será "a melhor coisa para a Índia, e a pior para os americanos, porque os indianos serão forçados a inovar em seu próprio país".
Friedman critica a política protecionista americana, ao afirmar que a imposição de barreiras foi a responsável por transformar a Grande Depressão dos anos 30 em "grande". "Vivemos em uma era tecnológica, na qual cada estudo mostra que quanto mais conhecimento um trabalhador possui, mais rápido sua renda cresce. Portanto, o centro do nosso estímulo, o princípio norteador deveria ser estimular tudo que possa nos tornar mais inteligentes, e atrair o máximo de pessoas capacitadas para nossas terras. Esse é o melhor modo de criar bons empregos", escreve Friedman.
O autor cita um estudo de Vivek Wadhwa, um pesquisador sênior da Harvard Law School. A pesquisa mostra que, na última década, os imigrantes responderam pela fundação de metade das empresas do Vale do Silício - o pólo de tecnologia mais famoso dos Estados Unidos. Em 2005, as companhias criadas pelos imigrantes respondiam por 450.000 funcionários e faturaram cerca de 52 bilhões de dólares.
Segundo Friedman, criar condições para a fundação de novas empresas é tão importante quanto resolver os problemas financeiros e de desemprego criados pela crise. "Adoraria ver o pacote de estímulo incluir um fundo público de capital de risco, com o objetivo de financiar todos os start-up que não deslancham atualmente pela falta de liquidez dos meios tradicionais de crédito", escreve.
"Precisamos atacar a crise financeira com Green cards e não apenas com papel-moeda, com novas empresas e não apenas com pacotes de ajuda. Uma Detroit é suficiente", afirma Friedman.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/economia/imigracao-saida-crise-americana-afirma-thomas-friedman-420849.html
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Revolta de imigrantes ilegais em Lampedusa
Revolta de imigrantes ilegais em Lampedusa
LUÍS NAVES.Itália.
Clandestinos contestam expulsões mais fáceisSilvio Berlusconi desvaloriza problema de condições de retençãoCentenas de imigrantes clandestinos saíram ontem do centro de retenção de Lampedusa, no sul de Itália, e protestaram durante algumas horas contra as condições de detenção e a aceleração das expulsões decidida pelo governo de Silvio Berlusconi. O centro é fechado, foi concebido para 850 detidos e tem neste momento 1300 pessoas, sobretudo africanos. A imprensa italiana tem denunciado as más condições do local.Após a pequena revolta, que decorreu sem incidentes, os imigrantes voltaram para o centro de retenção. O primeiro-ministro italiano desvalorizou o caso: Lampedusa "não é um campo de concentração" e os imigrantes podem sair "para beber uma cerveja", disse Berlusconi.As organizações que trabalham no local contestaram de imediato estas declarações, lembrando que existe uma cerca, que o local é guardado pelas autoridades e que ninguém sai, nem para "beber um café", segundo disse um responsável italiano da organização Médicos Sem Fronteiras.O protesto envolveu pelo menos 700 imigrantes (número adiantado pelo presidente da câmara de Lampedusa) e teve apoio de muitos dos 6 mil habitantes da ilha, que aplaudiram o desfile. A população tem contestado a criação de um centro mais moderno, temendo uma onda de imigração clandestina. Alguns órgãos de comunicação italianos afirmavam que a quase totalidade dos 1300 imigrantes no centro de retenção participaram no protesto.Lampedusa está na linha da frente do problema da imigração clandestina no Mediterrâneo. O governo coloca ali muitos dos imigrantes ilegais que chegam do norte de África, sobretudo a partir da Líbia, e que são detectados no mar. Foram entretanto concluídas as obras do novo Centro de Identificação e Expulsão (CIE), cujas operações começaram na sexta-feira.A revolta de ontem foi desencadeada pela transferência para outras zonas de Itália de 300 imigrantes e pela abertura do novo centro, que permite acelerar os procedimentos de expulsão. Desde o início do ano, foram expulsos 150 imigrantes.
Fonte: http://dn.sapo.pt/2009/01/25/internacional/revolta_imigrantes_ilegais_lampedusa.html
Os migrantes que ninguém quer
Birmânia. UMA ETNIA MINORITÁRIA SEM DIREITOS.
Foi-lhes retirada a nacionalidade, confiscadas as terras, negados direitos políticos, restringida a liberdade de movimento. Vivem confinados na região de Arakan, no Norte da Birmânia, fronteiriça do Bangladesh, ou, em alternativa, em campo de refugiados neste país. Daqui partem à procura de melhor sorte (ou do pior dos destinos) recorrendo às redes de migração clandestina.São os rohingya, minoria mu- çulmana a que a junta militar birmanesa retirou a nacionalidade em 1982, hoje tentada pela odisseia da travessia marítima entre as costas do Bangladesh e a Malásia ou a Tailândia. Estes boat people do século XXI protagonizam a tragédia de todos os ilegais: desprezados nas regiões de origem, perseguidos nos países de destino, explorados pelas mafias do tráfico humano, não encontram lugar onde re- começar. A não ser, pontualmente, no Paquistão e Arábia Saudita. Esta etnia birmanesa, mas afim da população do outro lado da fronteira em termos de idioma, cultura e religião, tem protagonizado vagas migratórias para o Bangladesh desde o final dos anos 70. Aqui vivem acantonados em condições degradantes em campos de refugiados, toleradas pelo Governo de Daca, até conseguirem dinheiro para a etapa seguinte - e a mais perigosa. Números de 2008 indicam que oito mil a 13 mil realizaram a travessia marítima do Bangladesh para a Tailândia, um dos destinos privilegiados pelos rohingyas. Mas aquele país tem adoptado uma política cada vez mais dura face aos rohingyas, de que é exemplo a decisão de devolver ao oceano Índico, na passada semana, cerca de mil ilegais desta etnia chegados às suas costas. O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) denunciou esta situação, acusando o Governo tailandês de ter colocado os migrantes em barcos sem motor, com poucos alimentos e água, forma indirecta de os condenar à morte. Testemunhos de sobreviventes confirmaram as acusações do ACNUR.Para outros rohingyas, a viagem pode terminar mesmo na morte, como esteve quase a suceder em Março de 2008, quando uma frágil e sobrelotada embarcação foi interceptada pela Marinha de Guerra do Sri Lanka. A bordo estavam mais de 70 pessoas, que andavam à deriva havia três semanas no oceano Índico, devido a uma avaria no motor do barco; outras 20 tinham morrido de fome e sede. A ONG Projecto Arakan, que trabalha com os rohingya, identifica ainda um outro risco - igualmente mortal. Para dissuadir os ilegais, há registo de as Marinhas da Tailândia e da Malásia, segundo alguns relatos, abrirem fogo sobre as embarcações para as afundar. Prática também seguida pela Marinha birmanesa. Os rohingyas pagam o equivalente a 200 euros por uma viagem até ao sul da Tailândia (região predominantemente muçulmana) ou 500 a 700 euros (uma fortuna para os padrões de vida locais) até à Malásia. Se nada correr mal, a travessia dura uma semana. Mas, além de poderem ser devolvidos ao mar, como se viu, os rohingyas correm o risco de, uma vez detidos, serem repatriados para uma região isolada na fronteira com a Birmânia controlada pelas mafias do tráfico humano. Proibidos pelos birmaneses de passarem para o lado de lá e impedidos de se movimentarem na Tailândia, os ilegais vivem como reféns dos traficantes. Estes exigem-lhes mais dinheiro para puderem abandonarem o cativeiro; não o conseguindo reunir, muitos acabam por ser vendidos para trabalho escravo num claro exemplo de um grupo étnico sem direitos, nem dentro nem fora do seu país.
Fonte: http://dn.sapo.pt/2009/01/25/internacional/os_migrantes_ninguem_quer.html